PRÓLOGO – Mel e Joz
A informalidade precedeu o gesto. Joz precipitou-se ao encontro de Mel enquanto do outro lado da rua uma figura sinistra e incorrigivelmente maldosa sacava do coldre uma Magnum 45 e apontava contra nosso herói. O estampido foi ouvido a kilômetros e os gritos desesperados de Mel sangraram os ouvidos dos que passavam. O corpo inerte jazia no asfalto quente. Joz em sangue se esvaía. Aos gritos da multidão descontrolada mesclavam-se os gritos de Mel. Sirenes iam aumentando a cada segundo. A ajuda chegará a tempo? Pelo amor de Deus, não morra querido Joz. Maldita hora em que saímos de casa. E se tivéssemos nos apressado um segundo só, o tiro o teria acertado? Quem contra ele teria atentado, e por que? Enquanto se perguntava viu o sangue brotar entre os dentes de Joz. Está morrendo e nada posso fazer para salvar meu querido amado. Os filhos que não tivemos, as coisas que não fizemos. Os pensamentos pequeno burgueses afloravam. Apertou o corpo de Joz contra o seu e começou a orar. Uma oração indefectível, nada fazia sentido. Apenas Mel sabia o que dizia. Joz morreu no dia 12 de setembro de 2008.
Foi um enterro pobre. Serviu-se água, café e um refrigerante barato que imitava Coca Cola. Mel parecia catatônica, se é que eu sei o que isso realmente quer dizer. Alguém que a visse com aquele semblante em outra ocasião que não o velório de seu amado Joz, dificilmente diria se tratar de uma mulher com tantas cicatrizes. Não era bonita, mesmo assim podiam tomá-la por uma mulher linda. Tinha os traços retos, a boca grande, enorme, os olhos pretos, olheiras que a acompanhavam desde os doze anos de idade. Os cabelos eram negros, compridos e cacheados. Joz sempre buscava as mulheres com cabelos cacheados, deve ser por esse motivo que nos aproxima-mos, pensou. E mesmo eu não sendo uma mulher bonita, meus cabelos negros e cacheados devem tê-lo seduzido. O resto ficou por conta das nossas afinidades. Jamais imaginaria que aquele homem pudesse ter tantas coisas parecidas comigo e mesmo assim ser tão diferente. Nunca em meus 28 anos encontrei um homem como Joz. Talvéz se eu continuar viva não venha nunca a encontrar. Também não quero. Tornarme-ei viúva a partir de já e nunca mais, nem em meus mais profundos sonhos encontrarei outro homem. Nem que eu seja castigada a condenada a viver eternamente ao lado de um homem tão ou mais amável que meu querido Joz, mesmo assim não recuarei de minha posição. Prefiro morrer um milhão de vezes a trair esse meu juramento.
Oras caro leitor, que mulher, esposa ou amante diria outra coisa no velório de seu amado senão as coisas que acabaram de sair da boca de Mel? Que mulher diria outra coisa? Mel, Poena, Verusca, todas elas diriam as mesmas coisas, porém quantas manteriam suas palavras depois que o corpo de seus amados fossem finalmente enterrados? Quantas em um milhão? Quantas mulheres em um milhão de mulheres manteriam a palavra ao pé do ouvido de seu amado? Vinte. Isso mesmo senhoras e senhoras. Dentre um milhão de mulheres recém viúvas apenas vinte manteriam suas palavras. Mel era uma dessas vinte mulheres? Sim. E digo porque. Porque Mel morreu na mesma noite em que seu amado Joz foi enterrado.
A informalidade precedeu o gesto. Joz precipitou-se ao encontro de Mel enquanto do outro lado da rua uma figura sinistra e incorrigivelmente maldosa sacava do coldre uma Magnum 45 e apontava contra nosso herói. O estampido foi ouvido a kilômetros e os gritos desesperados de Mel sangraram os ouvidos dos que passavam. O corpo inerte jazia no asfalto quente. Joz em sangue se esvaía. Aos gritos da multidão descontrolada mesclavam-se os gritos de Mel. Sirenes iam aumentando a cada segundo. A ajuda chegará a tempo? Pelo amor de Deus, não morra querido Joz. Maldita hora em que saímos de casa. E se tivéssemos nos apressado um segundo só, o tiro o teria acertado? Quem contra ele teria atentado, e por que? Enquanto se perguntava viu o sangue brotar entre os dentes de Joz. Está morrendo e nada posso fazer para salvar meu querido amado. Os filhos que não tivemos, as coisas que não fizemos. Os pensamentos pequeno burgueses afloravam. Apertou o corpo de Joz contra o seu e começou a orar. Uma oração indefectível, nada fazia sentido. Apenas Mel sabia o que dizia. Joz morreu no dia 12 de setembro de 2008.
Foi um enterro pobre. Serviu-se água, café e um refrigerante barato que imitava Coca Cola. Mel parecia catatônica, se é que eu sei o que isso realmente quer dizer. Alguém que a visse com aquele semblante em outra ocasião que não o velório de seu amado Joz, dificilmente diria se tratar de uma mulher com tantas cicatrizes. Não era bonita, mesmo assim podiam tomá-la por uma mulher linda. Tinha os traços retos, a boca grande, enorme, os olhos pretos, olheiras que a acompanhavam desde os doze anos de idade. Os cabelos eram negros, compridos e cacheados. Joz sempre buscava as mulheres com cabelos cacheados, deve ser por esse motivo que nos aproxima-mos, pensou. E mesmo eu não sendo uma mulher bonita, meus cabelos negros e cacheados devem tê-lo seduzido. O resto ficou por conta das nossas afinidades. Jamais imaginaria que aquele homem pudesse ter tantas coisas parecidas comigo e mesmo assim ser tão diferente. Nunca em meus 28 anos encontrei um homem como Joz. Talvéz se eu continuar viva não venha nunca a encontrar. Também não quero. Tornarme-ei viúva a partir de já e nunca mais, nem em meus mais profundos sonhos encontrarei outro homem. Nem que eu seja castigada a condenada a viver eternamente ao lado de um homem tão ou mais amável que meu querido Joz, mesmo assim não recuarei de minha posição. Prefiro morrer um milhão de vezes a trair esse meu juramento.
Oras caro leitor, que mulher, esposa ou amante diria outra coisa no velório de seu amado senão as coisas que acabaram de sair da boca de Mel? Que mulher diria outra coisa? Mel, Poena, Verusca, todas elas diriam as mesmas coisas, porém quantas manteriam suas palavras depois que o corpo de seus amados fossem finalmente enterrados? Quantas em um milhão? Quantas mulheres em um milhão de mulheres manteriam a palavra ao pé do ouvido de seu amado? Vinte. Isso mesmo senhoras e senhoras. Dentre um milhão de mulheres recém viúvas apenas vinte manteriam suas palavras. Mel era uma dessas vinte mulheres? Sim. E digo porque. Porque Mel morreu na mesma noite em que seu amado Joz foi enterrado.

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